Cristina bateu a porta do carro. Coração disparado, não sabia ao certo como agir. Nunca havia se encontrado com alguém que conhecera na internet, apesar de ter um número enorme de conhecidos no mundo virtual. Também nunca tinha traído Arnaldinho a não ser virtualmente, o que a deixava com um certo remorso antecipado pelo que pudesse vir a acontecer.
Lembrou-se dos preparativos para este encontro. Do vestido propositadamente escolhido a dedo – o mais sensual que ela tinha, preto, decotado, vestida literalmente para matar. Os lábios sensuais e vermelhos estavam especialmente sedutores naquela noite. À tarde fora ao salão, unhas feitas, cabelos caprichosamente escovados, depilação em dia. O perfume deliciosamente feminino distribuído de maneira estratégica por alguns pontos: Atrás das orelhas, no pescoço, na nuca, entre os seios, nos pulsos. Por dentro ela tremia – de tesão e medo de ser descoberta, de ser pega com a boca na botija – ou em algo mais comprometedor ainda. Teve a impressão de ouvir Arnaldinho chamar seu nome, mas acabou rindo de si mesma ao lembrar que o marido estava muito longe dali. Essa viagem dele veio na hora certa… ou quem sabe na hora errada, dependendo do prisma pelo qual ela olhasse. Há tempos que ela vinha reclamando com ele o quanto se sentia sozinha, desprezada. Sabia que ainda o amava, mas não estava mais agüentando. Por dentro, um fogo a consumia. Queria sexo sim! Com todas as letras! Há exatos 3 meses que Arnaldinho não a procurava e quando era procurado por ela, ele simplesmente desconversava. Chegou à conclusão de que não estava errada, pois por várias vezes deixara claro para ele que não iria agüentar por muito tempo. Sentiu-se aliviada com essa constatação e seguiu em frente, rumo ao barzinho em que havia combinado encontrar o Nando44RJ.
Sentiu uma tontura estranha e parou mais uma vez. Lembrou-se dos momentos em que fez sexo virtual com homens estranhos que até hoje ela nem sabe quem são, enquanto Arnaldinho dormia inocentemente ao seu lado. Pensou no quanto o marido tem trabalhado para manter o padrão de vida a que estão acostumados, no bom pai que ele sempre foi… Sentiu-se traidora e vil. Lembrou-se de como sempre se deram bem até que essa maratona de trabalho dele começou. Pegou o celular e ligou para ele. Desligado ou fora da área de cobertura. Lembrou-se das fotos do Nando. Que homem gostoso… Lembrou das coisas que ele havia dito quando fizeram sexo virtual… Sem dúvida aquela noite prometia. Seguiu mais alguns passos. Sentia seu próprio perfume e saber que ele também iria senti-lo a deixava super-excitada. Precisava seguir em frente.
Chegando, enfim, ao local do encontro, avistou Nando sentado de maneira displicente numa cadeira, blusão ligeiramente aberto, uma correntinha fina de ouro no pescoço emoldurando um peito lindo e charmoso. Entreolharam-se enquanto ela parou do outro lado do ambiente. Ela ficou parada ali, estática, pensando se deveria virar as costas e correr feito louca pra bem longe dali ou se deveria continuar andando rumo àquele homem com quem tanto sonhou se encontrar. Percebendo sua indecisão, Nando levantou-se e foi ao seu encontro, segurou sua mão e deu um beijo, sempre mantendo o olhar bem dentro dos olhos dela. Cristina sentiu todo o corpo tremer e naquele momento percebeu que seria inútil tentar fugir daquele homem – ele já a possuía antes mesmo de tê-la nos braços.
Em Brasília, num jantar de negócios, Arnaldinho coçou a testa, como que pressentindo o que estava por vir.


Vôo das 18:15h, Porto Alegre/Rio. Entro no avião e me acomodo. Lugar na primeira fila, nem acredito! Finalmente meu agente de viagem fez algo de bom por mim, já que da última vez me botou quase na cozinha do avião. Os colegas brincam comigo que mais um pouco eu estaria na primeira classe! Estico as pernas, me espreguiço... O cansaço é grande, resultado da média de 3 horas de sono diárias durante os últimos seis dias. Fico observando as pessoas entrando em fila com aquela cara de quem deixou a alma lá no aeroporto. Aliás, acho que quando a gente entra num avião acaba mesmo deixando a alma num lugar mais seguro. Começo a reviver na minha mente cada detalhe do evento que acabamos de fazer... A típica casa gaúcha que montamos no restaurante do hotel, cheia de detalhes e minúcias perfeitas. O churrasco de costela na vala, o show típico... O Centro de Tradições Gaúchas que foi montado na área externa do Laje de Pedra especialmente para o evento. A vista deslumbrante do Vale do Quilombo e o verde cintilante da serra gaúcha emoldurando tudo isso. Quanta coisa realizada em tão pouco tempo! E o profissionalismo dos gaúchos? Talvez exista gente tão profissional quanto eles, porém mais profissional… eu duvido! Deram show!
Bocejo. Soninho chegando, mas nunca consigo dormir em avião. Acho que posso completar mil horas de vôo que nunca vou me acostumar a isso. Voltam as imagens do evento: As prendas bailando com os peões: Coisa mais linda! Roupas maravilhosas, arranjos de flores nos cabelos… Os vestidos amarelos e rodados mais pareciam raios de sol no meio daquela tarde bonita, de friozinho típico da serra… O churrasco cheirando deliciosamente! As botas dos peões batendo com força no chão durante a chula, uma dança-desafio de sensualidade exuberante! Tudo tão bonito…
O comandante faz os anúncios de praxe, as comissárias fazem toda a mímica com relação aos procedimentos de segurança. Tudo tão automático, parecem robozinhos. Vem o "famoso" lanchinho da Varig: sanduíche de queijo com alface: Ninguém merece! Eu recuso o meu, pois não tenho fome, só cansaço! Novamente as lembranças do evento invadem minha mente: show do Ivan Lins no encerramento. Esse show me trouxe lembranças da adolescência que me deixaram consternada. Fui ao camarim e tirei foto com ele. Muito simpático, porém com fisionomia cansada, barriguinha pronunciada que denuncia a idade já um pouco avançada, mas ainda o Ivan Lins das músicas que preencheram boa parte da trilha sonora da minha vida.
20:45h. Nos aproximamos do Rio de Janeiro. O comandante anuncia que dentro de poucos minutos estaremos chegando ao Aeroporto Internacional Maestro Antônio Carlos Jobim. O coração acelera: Sempre fico nervosa quando se aproxima o momento do avião tocar o solo. O Samba do Avião me vem à cabeça: "Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara"… Realmente o Rio é lindo e é muito bom estar de volta!
Um beijo enorme e boa noite!
Estou de volta! ![]()
Voltei pro meu reduto, voltei ao que é meu! Como diz o ditado: "Viajar é muito bom, mas voltar pra casa é melhor ainda!"... Ainda estou me recuperando da pegada do evento, afinal, foram dias em que dormi uma média de 3 horas por noite, um pique alucinado, mas no final tudo deu certo e o evento foi um show! Logo mais eu volto com mais calma, não só para postar, mas também para visitar os amigos. Obrigada pelo carinho e pelos comentários durante os dias em que estive fora!
Beijos e até mais tarde!![]()
Amigos,
Vou estar ausente até a próxima quarta-feira, pois vou estar envolvida com aquele evento em Canela sobre o qual falei há algum tempo atrás. Vou sentir falta desse contato diário com vocês, mas por outro lado, vou estar fazendo algo de que gosto muito e na próxima semana estarei de volta!
Deixo aqui um poeminha pra vocês! Até a volta e um beijo grande pra todo mundo!![]()
Às vezes choro
Às vezes choro quando me pego pensando nas coisas da infância
que sei que não vou resgatar nunca mais.
Choro de nostalgia.
Às vezes choro quando sinto que estou perdendo meus filhos para o mundo
que aos poucos vai abrindo seus enormes braços para recebê-los de mim.
Choro de resignação.
Às vezes choro quando me lembro de antigos amores...
Amores que não vingaram.
Choro de melancolia.
Às vezes choro quando sinto que eventualmente
perco o controle da minha vida.
Choro de impotência.
Às vezes choro porque me comove a maneira carinhosa como você me trata
E por saber que nunca ninguém cuidou de mim desse jeito.
Choro de emoção.
Às vezes choro simplesmente porque vejo a vida passar
E sei que ainda me resta tanta coisa a fazer.
E choro, sobretudo, pela certeza de que nem tudo me será permitido realizar.
Bom dia!
Hoje publico aqui um conto de um grande amigo que prefere permanecer anônimo. Ele sabe o quanto sou fã desse estilo dele, que faz a gente botar a imaginação pra funcionar. Gosto dessa coisa do insinuar sem precisar dizer, dessa sutileza que ele sabe usar tão bem. Amigo, um beijo enorme pra ti e acho que é totalmente dispensável dizer que o covil da Loba está sempre aberta para usar e abusar da tua inspiração. Gosto muito de ti!
DOMINGO DE MANHÃ
Ninguém em casa. Acordei às dez, fui para a cozinha, peguei um pão fatiado, fiz um sanduíche, e fui para a sala assistir o Barrichelo perder mais uma.
Sentado no sofá, vestindo uma cueca samba canção e uma camiseta velha, prato numa mão, pão com queijo na outra. Às onze horas o Barrichelo roda.
Toca o interfone. Puta merda, quem será que vem me encher o saco logo de manhã? Doutor, é o Jeremias. Sua prima Mara está aqui, posso mandar subir? Pode, Jeremias. Ótimo, para a Mara eu não preciso me arrumar.
Toca a campainha, abro a porta. Mara está linda como sempre, mas está chorando. Porra, essa menina só arruma canalha. Ela trouxe pastel da feira para nós dois, de queijo, eu adoro. Marinha, que foi dessa vez? O Carlos desmanchou comigo. Choro convulsivo. Ela, com vinte e dois anos, corpo de miss, rostinho de anjo, chora Ainda como criança. Senta, senta aqui no sofá, Marinha. Vai comer o pastel? Fez que sim e mordeu. Quando Marinha está na fossa, ela come e chora. Um pastel é para mim. Sento em frente dela e fico olhando os olhos verdes, as lágrimas escorrendo. Nenhuma palavra. Marinha é assim. Precisa de mim. Precisa me ver. Precisa comer. Precisa chorar. Depois melhora. Eu como o meu pastel, não tiro meus olhos de seu rosto triste e lindo. Seus cabelos negros estão levemente cacheados, acho que ela fica ainda mais bonita quando eles estão assim. Mara vai se acalmando, eu olhando para ela, e ela se acalma. Eu devia ter sido psicólogo.
Quando ela acaba o pastel, se levanta e vai para o banheiro lavar as mãos. A blusinha ressalta os peitos médios, parecem perfeitos. A bunda enche o jeans apertado, com cintura baixa, a pele da cintura dela é lisinha. Ela deve ter vindo direto depois de ter tomado o fora, está arrumada. Dá vontade de matar o puto que fez a Marinha sofrer. Ela parece tão frágil quando está assim.
Penso numa boneca de porcelana. Porra, o que tem boneca de porcelana a ver? Não sei, acho que nunca vi uma boneca de porcelana, mas me lembro disso. "Frágil como uma boneca de porcelana."
O lavabo está perto, escuto a descarga, depois o barulho da pia. Imagino Marinha vendo sua própria imagem no espelho enquanto lava as mãos. Linda. Como sempre foi. Minha prima preferida, ela nasceu quando eu tinha oito anos, veio morar em São Paulo quando fez dezoito. Trabalhou de garçonete, mas queria mesmo ser artista de televisão. Fez uns comerciais, agora é modelo de feiras e convenções. Trabalha poucos dias e ganha bem, o suficiente para pagar a prestação do apartamentinho que comprou. Mas o que ela quer mesmo é ser feliz. E esses canalhas que ela gosta não deixam.
Quando ela sai do banheiro, noto que lavou a cara, apenas o vermelho dos olhos mostra que chorou. Vou eu também, faço xixi, e lavo minhas mãos sujas de óleo do pastel. Volto para a sala e me sento no sofá do lado dela. Ela coloca a cabeça no meu peito, fica olhando a televisão. Carros na pista, muita chuva, o volume quase no zero. Ela não está prestando atenção, só olhando, como se a televisão não estivesse lá. Afago o cabelo dela. Meus carinhos são o remédio dela, o calmante. Cada vez que um canalha dá o fora nela, ela vem. Ficamos assim um tempão, ela com a cabeça no meu colo. Ela pergunta por que ninguém a ama. Eu penso na resposta. Tão gostosinha, ela faz o tipo de burrinha, mas é muito inteligente. Os caras pegam ela para trepar, filhos da puta. Depois, quando ela quer um relacionamento de verdade, os putos se mandam. Ela reclama, mas a história é sempre a mesma. Pega um cara bonitão, passa uns meses com ele, e o cara a descarta. Como são idiotas. Se fosse eu…
A Marinha vale ouro, daria uma esposa ótima. Os canalhas não a amam, só querem foder. Eu sou a rocha inabalável. Mara chora e eu a conforto. Dentro de mim, o sangue ferve de amor por essa menina. Ela é tudo para mim.
- Mara, eu te amo.
- Eu sei, mas eu queria alguém que me amasse como mulher, não como irmã.
Eu fico quieto. Ela olha para mim, seus olhos molhados, dou um beijo em cada um, sorvendo as lágrimas salgadas de sua amargura. Seus olhos são uma fonte, eu bebo neles meu elixir. Repito:
- Mara, eu te amo.
- Como assim?
- Marinha, você é tudo para mim.
- Não enche, Leandro, você só fala isso por que eu estou na fossa.
Eu fico quieto. Ainda não é dessa vez. Fico olhando seu rosto triste. A camisetinha mostrando o volume dos peitinhos, a respiração fazendo eles subir e descer. Ritmo. De vez em quando um suspiro. Coloco minha mão por cima da barriguinha, abraço Marinha num carinho. Sinto nos meus dedos a maciez da pele dela. Algo em mim muda. Química. Tenho que me controlar.
Penso no Barrichelo. A televisão mostra o alemão comemorando mais uma. Champagne. Se a Marinha casasse comigo ia ter banho de champagne na festa. Minha campeã. Se ela soubesse.
Marinha se acalma, e se levanta. Eu me levanto também. Ela me abraça forte,
eu sinto os peitinhos dela de encontro a mim. Me dá um beijo no rosto.
- Obrigada, Leandro, eu te amo.
Se ela me amasse como eu a amo…
Ainda não foi dessa vez. Como eu sofro…


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