Infinitos instantes
são esses em que me questiono sobre as coisas da vida.
Infinitos instantes
são esses em que nada mais importa a não ser meu mergulho interior.
Infinitos instantes
são esses em que me entrego e me integro ao meu próprio eu.
E nada mais (re)conheço além das profundezas de
minha própria alma.
Amigos,
Vocês se lembram da minha amiga Renatinha, aquela que postou aqui um lindo conto? Pois é! Ela e eu criamos um novo blog! Calma, pessoal! O Covil aqui continua a todo vapor! Só que agora temos também o Letras de Duas, um espaço onde pretendemos transformar letras em emoções e vice-versa. Queremos muito que vocês nos façam uma visitinha lá também e nos prestigiem com este carinho imenso com que tenho sido presenteada aqui!
Um beijo bem grandão!
Um textinho de Arnaldo Jabor pra descontrair...
A bunda dura Tenho horror a mulher perfeitinha. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura!!!Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes. Sou louco? Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e,às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua.
Vazio
Minha mente anda vazia...
Quando olho dentro de mim
vejo palavras que se desfazem
transformadas em pequenas letras
desconexas e irritantes.
Em vão, tento alcançá-las
Mas elas, como num levante
contra a minha inspiração,
fogem pra bem longe...
Minha mente anda vazia...
Preciso resgatar aquele precioso fio da meada
Aquele que fazia a emoção fluir
Transformando letras em tudo.
Segue abaixo um conto escrito pela minha amiga Renata. Ela é escritora de mão cheia e já a incentivei a criar um blog, pois tenho certeza de que ela tem muito a postar.
Renatinha, um beijo enorme pra vc!
Regina Célia era uma dona de casa comportada. Com seu coque no alto da cabeça, vestido azul-marinho, não podia ter postura mais clássica. Casou-se aos quinze anos para se ver livre da autoridade paterna, mas logo percebeu que apenas transferiu o poder ao marido machista. Seu sonho de trabalhar, construir, foi logo por água abaixo quando se viu a sós com Ricardo. Homem altivo e de pouca conversa, escondia atrás dos óculos fundo de garrafa uma infância complicada, adolescência traumática e agora na fase adulta acumulava frustrações que descontava na pobre mulher conformada com a condição de dependente, mal-amada e infeliz.
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No princípio era o sexo.
E tudo girava em torno dele
E corpos se esfregavam e se entregavam
Sem qualquer laço de sentimento.
Então Deus disse: "Faça-se o Amor!"
E o amor foi feito,
possibilitando que dois corpos
que antes apenas se entregavam
sem reservas ao pecado original
se tornassem um só
No sétimo dia Ele descansou
Feliz por ter criado
à sua imagem e semelhança
O mais nobre dos sentimentos.
Nando convidou-a para sentar-se. Cristina estava especialmente linda naquele dia. O decote provocante fazia com que Nando não tirasse os olhos de seus seios e ela sentia-se mulher como há muito tempo não se sentia. Ele a olhava com insistência e ela, ainda meio sem graça, fugia dos olhos dele. Procurava por assunto e não encontrava. Buscava palavras e elas não vinham. Sem que outro assunto mais interessante lhe ocorresse, perguntou se ele gostava do perfume que ela estava usando e puxou os cabelos de maneira graciosa exibindo a nuca para que ele cheirasse. Pronto! Essa era a deixa que Nando estava esperando para poder se aproximar mais. Encostou o nariz e lentamente aspirou aquele cheiro delicioso de mulher… "Você é muito mais linda pessoalmente". Ela estremeceu e pensou no quanto ele também era muito mais gostoso ao vivo e a cores…
Sentia a respiração dele em sua nuca e deliciava-se com aquele novo mundo de sensações que Nando estava representando para ela. Ele deu alguns beijinhos em seu pescoço e dali partiu rumo aos lábios úmidos e sensuais de Cristina, que se ofereceram entreabertos a um beijo longo e provocante. Ela já sentia uma quentura se espalhar por todo o corpo e ao mesmo tempo em que a mão dele percorria suas pernas por baixo da mesa, sua resistência ia sendo minada por aquele homem que a tocava de maneira ímpar. As mãos dele iam se tornando a cada minuto mais audaciosas e a cada toque ela sentia-se incendiar por dentro. O barzinho já estava ficando pequeno demais para os dois. Ela percebeu que estavam sendo muito ousados para o local, notou alguns olhares voltados para eles, mas no fundo lhe agradava aquela exibição toda. No momento em que suas mãos perceberam o quanto Nando estava excitado, lembranças de uma época começaram a invadir seu pensamento. Um inesperado filme começou a rodar em sua mente, trazendo à tona lembranças do dia em que ela e Arnaldinho transaram pela primeira vez.
Tudo aconteceu após um jantar em uma noite de verão. Durante o jantar, Arnaldinho, que ainda estava meio tímido, sentiu um dos pés dela tocando suas coxas por baixo da mesa. A sensualidade estava no ar e ambos transpiravam tesão. Ele sorriu, piscou o olho para ela, que se levantou e foi até o banheiro. Na volta, aproximou-se dele, segurou carinhosamente suas mãos e colocou nelas a minúscula calcinha que estava usando. Ele levou-a até o nariz, cheirou-a como se estivesse aspirando o mais caro perfume francês e guardou-a no bolso. "Cris, vamos sair daqui. Eu quero você agora.". Dali saíram para uma noite maravilhosa a partir da qual foram se descobrindo totalmente apaixonados e envolvidos.
Ela voltou à realidade no momento em que Nando a convidou para que saíssem dali. "Cristina, vamos pra outro lugar?". Ela levantou-se, foi ao banheiro. Ao voltar, deu um beijo na ponta do nariz de Nando e segurou as mãos dele com carinho. Olhando em seus olhos, ela disse o quanto tinha sido bom estar ali com ele, mas que agora precisava ir embora a fim de tentar resgatar uma coisa muito especial. "Me desculpe, Nando". Antes que ele, perplexo, pudesse dizer qualquer coisa, ela levantou-se e saiu apressadamente em direção ao carro estacionado.
Em Brasília, Arnaldinho despedia-se do cliente com quem fora jantar. Já dentro do táxi em que se dirigia ao hotel, pensou na vida que estava levando ao lado de sua mulher. Sentiu-se culpado por estar tão atarefado ultimamente que mal podia lhe dar atenção. Cristina era uma mulher bonita e atraente, a mulher por quem ele um dia se havia apaixonado. Resolveu que estava na hora de se darem mais uma chance. Pegou o celular.
- Cris, preciso muito falar com você. Vou pegar o primeiro vôo de amanhã pro Rio.


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